||Yoga & Vedanta||

Encontro com Gloria Arieira & Figue Diel em Mariscal

Capitulo 12 – Bhagavadgītā

15 e 16 de Outubro

Yoga e Vedanta caminham juntos, o Yoga é a prática e o Vedanta o conhecimento. Vedanta fala sobre a natureza essencial do indivíduo como livre de limitação e imortal. O auto-conhecimento faz toda a diferença na vida de uma pessoa.

 

Viver Yoga é estar conectado a cada instante da nossa vida. É viver as diversas situações do cotidiano com consciência e liberdade para escolher deliberadamente os nossos atos, sendo pessoas melhores, mais responsáveis e mais generosas. Isto implica em um constante auto-estudo, uma constante auto-observação. Passamos a agir por discernimento e não por reação, vivendo o presente da melhor maneira possível.

Na Bhagavadgītā, Śrī Kṛṣṇa diz:

 

Śreyo hi jñānamabhyāsājjñānāddhyānaṁ viśiṣyate|

Dhyānātkarmaphalatyāgastyāgācchāntiranantaram||12||

 

12. Realmente o conhecimento é melhor do que a repetição. A meditação [com conhecimento] é melhor do que [somente] conhecimento. Renúncia aos resultados das ações [é melhor] do que meditação. [Pois,] à renúncia, segue-se imediatamente a paz.( Bhagavadgītā XII:12)

 

Oṁ, isto é a verdade. Desta maneira é o décimo segundo capítulo, cujo assunto é chamado de “bhakti” [a devoção], na gloriosa Bhagavadgītā, [que é equivalente] às Upaniṣads, [cujo assunto é] o conhecimento de Brahman [e] yoga, no diálogo entre Śrī Kṛṣṇa e Arjuna.

 

 

Uma visão da devoção por N. Ramaswamy – Tradução de Lucia Cantanhede.

Uma questão pode ser colocada: “Estou interessado em autoconhecimento e sei que Brahman e Atman são apenas um, como dizem as Upanisads. Se o conhecimento da identidade entre o indivíduo e a realidade total é o meu objetivo, por que deveria me preocupar com Deus? Pensei que tendo vindo para o Vedanta eu tivesse me visto livre Dele, mas eis que agora Sankara aparece e me vem com essa idéia de drdhabhakti (devoção firme). Sempre fui alérgico à devoção! Tendo vindo aqui para estudar seriamente as escrituras do Advaita Vedanta, por que você quer que eu reflita sobre Deus?” Essa questão poderá naturalmente surgir nas mentes das pessoas, mas quando analisamos nossas experiências vemos que sempre que uma pessoa está desamparada ela, instintivamente, joga as mãos para cima, como se suplicasse a um poder mais alto. Este desamparo é mais agudamente sentido por alguém que está engajado na busca do autoconhecimento porque, embora se dê conta de que precisa de um professor, não possui uma norma, uma medida (um critério) para avaliar o professor. Para avaliar um estudioso, é preciso ser pelo menos tão bem versado quanto ele em seu campo de estudos. Brahmanisthata, a sabedoria daquele que conhece Brahman, não pode ser quantificada sendo injetada em um cilindro de medição ou pesada. Uma pessoa que não se conhece a si mesma não é capaz de julgar se alguém mais possui autoconhecimento e conseqüentemente pode ser desviada por caminhos os mais diversos por pessoas que se autodenominam gurus mas que de fato apenas estimulam a necessidade latente de experiência – mística ou outra qualquer.

 

Krsna diz na Bhagavadgita : yadyadvibhutimatsattvam srimadurjitameva va tattadevavagaccha tvam mama tejo msasambhavam. “Tudo o que é glorioso, belo ou sublime possa você apreciar como apenas uma pequena parte da minha glória” (Bhagavadgita X:41). Para apreciar essa glória do Senhor você não precisa fazer nada. Não precisa ir à igreja, não precisa ser cristão, judeu, muçulmano ou hindu, não precisa de modo algum ter um Deus. Você precisa apenas mudar sua visão – e isso é bhakti. Quando você simplesmente vai até a praia, vê a beleza do oceano e aprecia a enorme quantidade de energia necessária para fazer as coisas funcionarem, ou quando você observa e se maravilha com o nascer do sol ou da lua, a forma do céu, o modo como as nuvens se movimentam e se modificam, a mudança das estações, um botão de rosa que brota – isso é bhakti. Na meditação você não precisa ver nada para apreciar a beleza do Senhor. Isso é bhakti e essa bhakti você pode manter. Por que? Porque você conhece suas condições, seu desamparo, seus problemas. O ensinamento está aí, o professor está aí e o livro está aí; mas infelizmente sua mente não está aí. Como não é capaz de trazê-la onde ela é necessária você se sente mais frustrado e desesperado. Nessa situação, o que pode fazer? Aprecie simplesmente o Senhor sob qualquer forma, recorrendo a qualquer coisa que o atraia nessa fase do seu desenvolvimento. Por qualquer caminho que a mente vá, onde quer que ela naturalmente se absorva qualquer coisa que crie em você uma apreciação de beleza – tudo isso é inspiração para bhakti. Por esta razão muitos refúgios ou ashrams na Índia estão situados em locais isolados, com cenários de extraordinária beleza. Nos Himalaias você pode perder-se durante horas simplesmente olhando a majestade que está à sua volta, porque um esplendor desse tipo conduz naturalmente a uma mente contemplativa. A cada momento você vê a beleza da natureza; um passo a mais e você vê tudo isso como a glória do Senhor. Compreendendo isso, sua mente está em meditação, uma condição natural na qual ela está totalmente dissolvida. Isso é bhakti. Texto completo www.vidyamandir.org.br/textdevocao.html

Você não precisa estar em alguma condição física ou conhecimento especial para participar desta experiência. Praticantes de quaisquer tradições são bem-vindos.

 

Gloria Arieira é a Diretora Presidente do Vidya Mandir. Em janeiro de 1974 foi para a Índia estudar com Swami Dayananda, que tornou-se seu mestre. Com ele estudou até julho de 1978, retornando então ao Brasil. Além de permanecer no Ashram Sandeepani Sadhanalaya, um local de estudo e vivência com o mestre, em Mumbai, também estudou em outros ashrams em Uttarkashi e Rishikesh, norte da Índia. Viajou também para lugares nas várias regiões da Índia, para participar de cursos, palestras e visitas a lugares sagrados, como os templos de Tamil Nadu e Kerala, conhecendo melhor a tradição cultural e religiosa dos Vedas. Desde seu retorno, vem ensinando Vedanta e Sâsncrito no Rio de Janeiro e em outras cidades do Brasil e também em Buenos Aires, Argentina. Dedica-se também ao trabalho de tradução para o Português dos textos em Sânscrito, como a Bhagavadgita, Upanishads e vários outros. É responsável pela publicação em português dos livros de Swami Dayananda, editados pela Vidyamandir Editorial, e de dois outros livros: Orações Milenares e Puja .Visite o site www.vidyamandir.org.br

 

 

Figue Diel, vive em Santa Catarina, hoje com 37 anos, era adolescente e competia em campeonatos de surf quando perdeu a visão num acidente de carro. Depois começou a estudar Yoga, o que faz há 13 anos, e tem como principais referências seus professores Pedro Kupfer, Gloria Arieira e Gustavo Ponce, com os quais estuda com frequência. Há quatro anos Figue voltou a surfar.

“As mudanças externas são importantes,

mas a visão interna da vida é que faz a diferença”.

Figue Diel

 

 

 

 

Figue no Cabo Verde:

http://vimeo.com/19408135

Entrevista com o Figue Diel:

http://www.itajaionline.com.br/index.php?gs=materias/entrevista/33/33

 

Fantástico com o Figue:

http://www.youtube.com/watch?v=h0EtvEAsuf4

 

Filme “Uma Luz no Fim do Tubo” sobre o Figue:

Parte 1

http://www.youtube.com/watch?v=zNJAtRpUY7c&NR=1&feature=fvwp

Parte 2

http://www.youtube.com/watch?v=BvYbHS11Tc4&NR=1

 

Entrevista de Figue Diel ao Jornal Página3

http://issuu.com/pagina3/docs/35-entrevista?viewMode=magazine&mode=embed

 

 

 

Deixe seu comentário

Newsletter

Receba textos e novidades sobre Yoga!

"Yogash chitta vritti nirodhah.
Tada drashtuh svarupe avasthanam.”

Yoga é o domínio das atividades no campo da mente.
Então, aquele que vê descansa em sua verdadeira natureza. (Yoga Sutra 1:2,3)