Volta as práticas na Ashvatta Yoga
Galera, estamos programando a reabertura da escola e gostariamos de convidar a todos para o regressarem as práticas após esta nossa longa jornada pela Ásia. Estivemos estudando com nosso mestre Swami Dayananda Saraswati por um mês no seu ashram em Rishikesh acerca de 3 mahavakyas contidos nas Upanishads; Mahavakyas são afirmações/equações que explicam a essência do Ser, Bhraman, aquele que em última análise, todos somos…Após os estudos era hora de assimilar e digerir o estudo e nada melhor do que ns conectarmos a natureza, o verdadeiro templo e desfrutar das maravilhas da criação, que em sanscrito é chamado de JAGAT.
Nossos caminhos nos levaram até o Nepal, onde por 12 dias caminhamos e meditamos no coração dos Himalaias, passando por aldeias milenares, florestas, glaciares e vales entre as maiores montanhas do mundo.
Com a bençaõ dos deuses, voamos para realizar mais um sonho, surfar as ondas perfeitas da Indonésia..nossa primeira parada foi na ilha de Bali, onde nosso amigo Rodrigo Digone, surfguide e proprietario da Bali Surf Connection nos aguardava. Nos preparamos para o que vinha pela frente, surfando a famosa bancada de Uluwatu e visitando o interior da ilha aos pés dos vulcões aonde está concentrada a cultura hindu e o artesanato balinês.
O que nos trouxe para a Indoneesia, além das ondas, foi o projeto de gravarmos um documentário de surf em uma parceria entre a Ashvatta Yoga, Alexandre Ribas e Carlos Portella (www.workingforberrels.com), a Bali Surf Connection (www.balisurfconnection.com) e a AdaptSurf (www.adaptsurf.org.br) , uma ONG carioca que proprociona o surf a portadores de todo o tipo de deficiência.
Já estamos há duas semanas na região central do arquipélago das Mentawai, hospedados no Aloita Resort, filmando o documentário Surfistas de Alma 2 e temos mais uma semana para surfar essas ondas de sonho.
Retornamos ao Brasil no final do mês de maio e gostariamos de compartilhar de toda essa experiencia com todos em uma prática e exposição de fotos da trip no dia 02 de junho, sábado, as 16 horas na Ashvatta Yoga Praia Brava.
Pedimos que confirmem a sua presença pelo email da escola, (ashvattayoga@gmail.com) pois temos espaço limitado para a prática.
A prática é gratuita, pedimos apenas uma doção de agasalhos e cobertores que seram encaminhados a instituições de caridade da região.
Dia 04 de junho, segunda feira as 08h de manhã retomaremos as práticas na Ashvatta Yoga, confira o quadro de horários aqui na nossa página ou pelo nosso website: www.ashvattayoga.com.br
Até lá
Namaste!
Coluna Outras Ondas de Fred d’Orey na Fluir de maio
Após um bate papo entre Figue e Fred d’Orey, um dos grandes ídolos do surf brasileiro, nos cliffs de Uluwatu, nasceu a sua coluna Outras Ondas para a revista Fluir na edição de maio, 2012.
Confira abaixo>>
Bali Bagus
Voávamos para a ilha de Bali e éramos tomados de uma grande emoção que fazia com que nossos olhos lacrimejassem ao sobrevoar a ilha!
Logo no desembarque fomos recepcionados pelo nosso amigo Rodrigo Digone, brasileiro que vive sua 18ª temporada na Indonésia e abriu as portas de sua casa para nos hospedar, na região de Uluwatu.
Após comprarmos todos os equipamentos necessários, fomos até a fábrica de pranchas do Bruce Hensell, lendário surfista de Pipeline da década de 70 para buscar nossas pranchas. Com grande experiência nas ondas tubulares, Bruce shapeou pranchas com o model havaiano que nos deixou com olhar de criança ao ganhar um brinquedo novo. Estávamos prontos para cair na água.

Chegamos a Uluwatu aonde Digone é local e respeitado por todos. Fiquei admirado com meu amigo de infância, já que há muitos anos sonhávamos em surfarmos juntos a mágica esquerda que assistíamos nos filmes. Preparamos as pranchas no warung e começamos a descida pelas escadas que levam a caverna, enquanto Digone nos apresentava a todos podíamos perceber que ele realmente estava em casa. Talvez ali tenha sido a primeira arrebentação que passávamos, pois os locais e salva-vidas balineses, australianos e surfistas de todas as partes do mundo arregalavam seus olhos espantados e assustados com a nossa presença. E mais uma barreira se quebrava. Provavelmente estavam pensando que aquilo era uma loucura; surfar estas esquerdas que quebram sobre uma rasa e afiada bancada de coral já é difícil para quem enxerga…mas estávamos confiantes e com um sorriso no rosto, pois eu e o Cairo temos uma grande sintonia dentro da água e com todo o conhecimento do pico que o Digone tem saberíamos que ia correr tudo certo!
Com todo o respeito que este spot merece entramos na água e nos direcionamos para uma bancada chamada ‘the temples’, onde corre uma longa esquerda tubular e potente. O mar não estava grande e pudemos nos divertir surfando boas ondas. Ao sairmos da água e de volta às escadas víamos os sorrisos de todos que vibravam e alguns até choravam de emoção.
A história de Uluwatu tem mais uma passagem; a temida onda deste pico foi pela primeira vez surfada por um “cego” que pode ver através do coração e tenta se conectar ao oceano através da confiança e a entrega total à inteligência que no Yoga chamamos de ISHVARA.
Surfamos durante toda a semana e o mar subia a cada dia assim como a relação com o todos se harmonizava a cada onda surfada. Peguei ali, talvez a onda mais potente que já surfei, com 6 pés de força oceânica que quebra nesta rasa bancada.
Nesta semana tivemos o privilégio de conhecer o lendário surfista Jim Banks, um dos primeiros a surfar Uluwatu nos anos 70, e também Kelly Slater que deu aula de tubo em Padang Padang e se mostrou admirado com o feito de um surfista cego surfar em Uluwatu.
Fred d’Orey, ex-surfista profissional que marcou época nos anos 80 e amigo de Digone de muitas trips pelas ilhas, deu uns banhos junto com agente e me deu a honra de batermos um papo que virou assunto para ele escrever sua coluna ‘Outras Ondas’ na revista Fluir. Podia sentir a sinceridade e a pureza na alma deste surfista que tem no surf a conexão que todos que correm uma onda deveriam preservar no seu coração. Trocamos exatamente sobre isso, a verdadeira relação do surfista e o mar, uma amizade sincera entre amigos, por que é assim que a natureza nos acolhe, de braços abertos. Muito diferente do que as grandes companhias, parasitas do surf tem vendido, com toda essa marrentagem de badboys e competição por onda e falsa fama.
Com a baixada do mar, aproveitamos para visitar o interior da ilha e fomos à cidade de Ubud, lá estão as montanhas e vulcões que deram origem a ilha de Bali. Decidimos subir ao topo do monte Batur, vulcão ativo que teve sua última erupção no ano 2000.
Começamos a caminhada por volta das 04h da manhã para poder assistir o espetáculo do nascer do sol do alto da cratera aos 1717 metros de altitude do nível do mar. Fazia mesmo frio lá em cima, algo que nos pegou de surpresa, já que em toda a ilha faz um calor infernal.
Meditamos enquanto o sol nascia e mostrava toda a beleza de Gayatri. Pedimos que a clareza e a luz da Inteligência de ISHVARA contidas por detrás desta estrela também brilhassem na mente de todos para que haja mais veracidade e harmonia nas relações entre as pessoas e com nós mesmos. Foi um momento de muita intensidade e contemplação de toda a força da criação.
Com toda essa energia, descemos até Ubud, a cidade que respira arte, espiritualidade e é o coração da cultura balinesa.
Caminhávamos pelas ruas agitadas e víamos todo o tipo de escolas de yoga possível e imaginável, e nos lembrávamos de nossa passagem pela Índia, terra mãe do Yoga. Em meio a todo esse frenesi e moda que cerca o Yoga, com cara de “zen” e lindos discursos de cura pranica, shamanica, iluminação, visões de códigos de luz energéticas, evolução espiritual e até mesmo práticas de yoga do riso; a todo o instante vinha a nossa mente a vivência que tivemos nos contra fortes do Himalaia, onde pudemos encontrar a forte energia meditativa e de conexão com nós mesmo e com o TODO; em uma caverna onde passamos a noite com os Sadhus que lá vivem; pessoas santas que renunciaram a vida material em troca do conhecimento e que mantêm a tradição da espiritualidade do Yoga na sua raiz, sem farsa ou apresentações exotéricas e de falsa magia, além do privilégio de ouvir o conhecimento pé no chão de Swami Dayananda que nos coloca a real da vida e tudo aquilo que JÁ somos, TAT TVAM ASI, “você É isto”. Pudemos sentir um forte agradecimento aos nossos professores que nos ensinaram a verdade sobre a busca do Yoga, MOKSHA, a liberdade de podermos ser quem somos e nos aceitarmos como somos para que possamos caminhar na vida, guiados pelo Dharma. Esta é a relação sincera que cultivamos e que mantemos nesta fila de tradição desde Drakshinamurti, o primeiro professor até nos dias de hoje com aquelas pessoas que desejam acima de tudo este objetivo, a liberdade; e não uma prisão com relações falsas que cercam pessoas mal intencionadas que promovem até mesmo copa do mundo de Yoga com promessas de corpo bonito, rejuvenecimento e exercícios para nível de mestre. Estas equivocadas visões apenas trazem mais confusão e sofrimento àqueles que buscam conhecer a si próprios, já que a verdade está em cada um de nós.
Fechamos estas duas semanas na ilha do mil deuses e demônios e nos preparamos para surfar aquelas ondas que desenhávamos no caderno nas aulas de matemática…Próximo destino do Ashvatta: o arquipélago das Mentawaii.
Boas ondas a todos,
Namastê!

Gayatri Mantra a ser cantado ao nascer e por do sol
ॐ भूर्भुवस्वः ।
तत् सवितुर्वरेण्यं ।
भर्गो देवस्य धीमहि ।
धियो यो नः प्रचोदयात् ॥
Om bhūr bhuva svar
tat savitur varenyam
bhargo devasya dhīmahi
dhiyo yo nah prachodayāt
“Desvele, Ó Tu que deste mantimento ao Universo, de quem tudo procede, a quem tudo deve retornar, aquela face do Verdadeiro Sol agora oculto por um vaso de luz dourada, que nós possamos ver a verdade e fazer o nosso dever inteiro na nossa jornada ao teu assento sagrado.”
“O Sol Supremo e Todo-Poderoso nos impulsiona com o seu divino brilho para que então nós possamos atingir uma nobre compreensão da realidade.”
Trekkinando pelo Nepal
No dia 20 de março saímos de Delhi rumo a Kathmandu; mais uma megalópole asiática com 20 milhôes de habitantes onde o Hinduísmo faz uma fusão harmônica com o Budismo. Esse mix de duas culturas de paz faz de seu povo pessoas alegres e amistosas que adoram receber turistas.
Ficamos uns dias em Thamel, bairro turístico que é ponto de partida para trekkers de todo o mundo. Suas ruas lotadas de gente e lojas que vendem desde equipamentos para montanha até as tradicionais e coloridas roupas nepalesas e seus artesanatos.
Equipados, rumamos à Pokhara, segunda maior cidade do Nepal aos pés do Himalaia. Ficamos em um bairro chamado Lakeside a beira de um lindo lago, Fewa Lake, que possui boa gastronomia e uma estrutura de guest houses para receber aqueles que se preparam para subir as montanhas ou estão descendo delas e buscam por repouso.
Contratamos um guia local para nos mostrar os melhores caminhos e distribuir o peso de nossas mochilas, nosso amigo Ban guia experiente que já trabalha há mais de 20 anos com expedições de trekking pelas montanhas do Himalaia trouxe junto seu filho, Perdip, de 16 anos para que pudesse aprender os caminhos e se iniciar nessa profissão.
Equipe montada, Figue, Cairo, Roger, uma amiga que se juntou a trip, Débora, Ban e nosso guia mirim, todas as permissões em mãos e muita disposição para caminhar os 53 km por dentro dos vales que levam até a base do Annapurna Sul.
Partimos de Khande e em algumas horas já estávamos em Pothana, onde dormimos a primeira noite. Pela manhã já podíamos avistar a majestosa montanha, Annapurna ao fundo do vale.
Caminhávamos uma média de 6 horas por dia e passando por vilas que mostram bem a cultura milenar desse povo que se adaptou às intempéries da vida nas montanhas. A cada dia que se passava adentrávamos mais profundo nos vales e após 5 dias acessávamos uma grande canaleta que nos levaria aos glaciares na base das grandes montanhas.
O Nepal é o segundo país com a maior reserva de água no mundo, atrás apenas de nossa terra brasilis e pudemos experienciar toda essa umidade quando passamos dos 2 mil metros a partir de Chomorong, uma das maiores vilas no caminho e ultimo trecho de subidas e descida, a partir dali, foi um toca pra cima.
Caminhamos 3 dias em meio a uma floresta de montanha onde tanta água formou uma exuberante flora, com diversas espécies de musgos, liquens, samambaias e as lindas e enormes árvores de Lali Grass, flor símbolo do Nepal, com tons de vermelho e rosa deixavam o caminho surreal, parecendo uma floresta de gnomos.
A partir de Himalaya a paisagem começou a mudar para tons mais acinzentados conforme rompíamos os 3000 metros de altitude e a neve apareceu pela primeira vez, e junto com ela o frio. Nossos planos eram de passar esta noite em Deurali 3230 metros, mais uma forte tempestade de granizo nos forçou a passar a noite em Himalaya.
Deste ponto em diante já podíamos sentir os efeitos do ar rarefeito o que tornava a íngrime subida ainda mais cansativa. Resolvemos então aclimatarmos e subir mais devagar para desfrutarmos do frio e altitude em Deurali que fica na garganta do vale, de frente a uma imponente montanha de rocha negra em forma de diamante, Kali Mountain.
Kali Devi, guerreira poderosa que manifesta a força de Shakti, o poder de manifestação da natureza. O mannager do lodge que ficamos nos contou que a montanha tem tanta energia que ninguém consegue nem se aproximar dela, nunca foi escalada e nem mesmo os helicópteros conseguem passar por cima de seu topo, sendo repelidos para as laterais. No dia de Kali, festival muito celebrado no Nepal estávamos ali admirando toda sua força e beleza.
No outro dia tocamos até o Machhapuchhare base camp, 3700 metros de altitude em uma caminhada exaustiva por glaciares, geleiras e ao meio de montanhas nevadas que roncavam com avalanches de neve e pedra que ecoavam pelo vale nos fazendo tremer e sentir toda a magnitude do poder do lugar.
Alcançamos o basecamp após 3 horas de caminhada que mais parecia o dia inteiro, quase congelados e já sofrendo do mal da montanha que debilitou Figue e Roger. Passamos a noite em um lodge encravado no gelo e nosso quarto mais parecia um freezer com neve tapando a metade das janelas.
Nosso bom senso e após conversamos com nosso guia decidimos dividir a equipe; Dip, Débora e Cairo partiram as 5h30´ da manhã rumo ao basecamp do Annapurna a 4200 metros de altitude. Figue, Roger e Ban esperaram o sol aquecer um pouco o esqueleto para baixarem até Deurali, onde nos encontraríamos para passar a noite e então começar o caminho de volta no dia seguinte.
A ascensão até os 4200 se iniciou ainda de noite, para que pudéssemos ver o nascer do sol por detrás das montanhas e caminhamos por cima do glaciar que forma o rio Modi Khola que desce das montanhas e irriga todo o vale. Cercados de branco por todos os lados e montanhas aonde a maior delas, Annapurna que em sânscrito significa plenitude de alimento, se prostava imponente ao final do glaciar; ela é realmente imensa em seu esplendor de 8090 metros de altitude.
Levamos 8 dias para subir e em 3 dias descemos até Jhinu, 1780 metros e aproveitamos para relaxar nas piscinas de águas termais que descem de dentro da montanha. A beira do rio, desfrutamos desta tarde na companhia de amigos poloneses e nepaleses que fizemos no caminho e no outro dia estávamos recuperados para caminhar 8 horas para chegar até a estrada onde um jeep nos levou de volta a Pokhara.
Alguns dias descansando em Pokhara e dali partimos rumo a Meca do surf, Indonesia; deixando no Nepal nosso companheiro Roger que continua caminhando pelas montanhas.
Figue e Cairo já se encontram adaptados a vida balinesa e bem instalados na casa de nosso grande amigo Rodrigo Digone, local do arquipélago há 17 anos e guia de surf.
Mais relatos desta “nova encarnação” em breve…
Om purnamadah purnamidam purnat purnamudacyate |
purnasya purnamadaya purnamevavasisyate ||
om shantih shantih shantih ||
Invocação da paz
Om. Isto é plenitude. Aquilo é plenitude.
Da plenitude, a plenitude surge.
Tirando-se a plenitude da plenitude,
somente a plenitude resta.
Om paz, paz, paz.
As bençãos de Ganesha
Em meio de todo esse rico ensinamento, na nossa ultima semana visitamos a cidade sagrada de Haridwar.
Convidados pelo nosso amigo Prem, local de Rishikesh e proprietário do restaurante East and West, que, diga-se de passagem, tem a melhor pizza da cidade; fomos ao templo de Sati e Shiva, Sati foi a primeira esposa de Shiva, uma linda princesa que se atirou na pira do fogo sagrado em meio a uma festa promovida por seu pai que não havia convidado Shiva por não aprovar o casamento com o yogi que dedicava sua vida a espiritualidade.
Assim nasceu do terceiro olho de Shiva, Virabhadra, o guerreiro que cortou a cabeçca de Daksha, pai de Sati.
Um belo templo a beira do Ganges que conta essa historia de Sati e Shiva e que é visitado principalmente por indianos.
Após o templo fomos até o Parque Nacional Rajaji e fizemos um safári de jeep por cerca de 3 horas que pudemos observar muito de perto inúmeros exemplares da fauna e flora indianas. Avistamos vários grupos de veados, pavão, galo selvagem, javali, águia e até elefantes asiáticos.
Tivemos 3 encontros com
esses gigantes que são muito maiores que o jeep e chegaram até a correr atrás do nosso jeep e nos cercar! Um belo susto que foi rapidamente controlado pelo nosso guia utilizando de uma espécie de pinça com pólvora que faz um barulho de tiro para espantar a manada.
Incrível poder admirar de perto toda a beleza e força destes animais, e após esse encontro ainda pudemos observar um veado abatido por um tigre havia 2 dias, alguns tigres ainda habitam o parque e não é muito raro poder observar esses felinos, principalmente na parte da manhã, porém não tivemos essa ‘sorte’…
No final desta semana encerramos nossa estadia na índia e com a benção de Ganesha, rumamos ao Nepal para caminharmos no coração dos Himalaias, a morada dos deuses.
||AHAM BRHAMAN ASMI||
Este foi o mahavakya estudado no terceiro camp. Este Brhaman sou eu! Esta foi a equação da Brhadaranyakopanisad que Swami Dayananda nos esclareu.
“Qualquer assunto que você queira conhecer, enquanto examinado, se abre a diversos problemas, dúvidas e questões. Essa é a natureza da inquirição.
Para esclarecer essas dúvidas, nas escolas e universidades, nos ensinaram que precisamos corroborar a informação através dos nossos sentidos. Em todas essas situações, o tema é você, o significado da palavra “eu”. Ātma aham, Ātma sou eu. Aquele que questiona, é você, o conhecedor. Você é o investigador, o duvidador, e resolvedor, a pessoa central. Por que central? Porque você é o invariável.
Os assuntos podem ser muito diversos, mas você é sempre você. Física, astrofísica, genética, engenheria: seja o que for que você estuda, o conhecedor não varia. Esse conhecedor é você.
Há uma tremenda e duradoura dúvida, que lhe acompanha desde que você nasceu, e que é completamente deixada de lado. Essa dúvida está centrada na pessoa que você é.
Portanto, você vive a vida com uma dúvida incessante, que precisa ser resolvida, mas cuja solução não parece acessível.
A pessoa que não é consciente de si não tem problema algum. Até os cachorros, que são perfeitamente conscientes de si, têm dúvidas, mas elas são de outro tipo, sobre cheiros, ossos, e outros cachorros. Eles sabem perfeitamente que existem, e não ligam para o fato de terem ou não pedigree.
…
Precisamos saber como lidar com a peculiar situação que é estarmos vivos agora. Olhando para mim mesmo como alguém que está dentro da ordem de Īśvara, incluo tanto a ordem subconsciente quanto a ordem inconsciente em mim, sem negar nada. Assim trago Īśvara para dentro da minha vida.
Assim, entendo que não preciso me afastar da tristeza ou ficar sempre correndo atrás da alegria. Como é que eu posso ser as duas coisas ao mesmo tempo, alegria e tristeza? Há algum outro motivo pelo qual eu possa ser feliz, que transcenda a alegria e a tristeza?
Quando a idéia de que “eu sou triste” é o natural, o sofrimento surge. Porém, eu existia antes dessa idéia aparecer. Se a tristeza fosse de fato a minha natureza, então eu poderia me contentar com ela. Porém, é um fato que ninguém entende a tristeza ou o sofrimento como coisas naturais, a menos que a pessoa tenha uma psicopatologia.
Tristeza e alegria estão baseadas no eu. Da tristeza, eu quero me livrar. Da alegria, quero me aproximar. Esta é a verdade. Então, quiçá, aquilo que eu quero me tornar seja exatamente aquilo que já sou. Talvez, o que estou buscando já seja o que sou.”
OM TAT SAT
||Prajnãnam Brahma||
O segundo camp teve como texto base a aitareya upanisat com o mahãvãkya prajnãnam brahma e se iniciou com o característico bom humor do Swami Dayananda que usa sempre historias engraçadas e piadas para ilustrar e descontrair as aulas tirando um pouco a aparente seriedade e peso deste denso ensinamento.
“Quem é este Ser através de quem a gente escuta?”
“Quem é este Ser através de quem a gente cheira?”
“Quem é este Ser através de quem a gente pensa?”
“Quem é este Ser através de quem a gente sente o que é doce?”
“Quem é este Ser através de quem a gente sente o amargo?”
Suponhamos que você tem um pote todo furado num quarto escuro, dentro do qual você você coloca uma lamparina. O que você vê? esse é um exemplo dado por Shankaracharya.
A luz que sai pelos furos forma raios que iluminam os diferentes objetos no ambiente.
Os diferentes objetos que os raios iluminam simbolizam os órgãos de percepção: olhos, ouvidos, tato, paladar, olfato. Essas são as cinco janelas sensoriais. A luz é uma só, e é graças a ela que as percepções acontecem. Ela é jyotirjyoti, a luz das luzes, que é a luz da Consciência.
Todo e qualquer objeto é iluminado pela presença dessa luz. As percepções, visuais, auditivas, olfativas, etc., só acontecem por causa da luz da Consciência.
A onda e o oceano
Este exemplo é usado para explicar a peculiar situação do sofrimento do homem, dotando uma onda do mar com uma mente humana. Se falarmos para a onda que ela é o oceano, ela precisa compreender primeiramente que a verdade da onda é o oceano. Ela tem que transcender a sua ondidade, a sua identificação com a forma de onda. Então, onda é palavra e significado. Isso é o que chamamos namarupa. Oceano também é palavra e significado.
A onda atlântica está deprimida, pois percebe que vai morrer na beira do mar, da qual se aproxima inexoravelmente. Ela se sente insignificante, desolada.
Aí, aparece uma onda do Oceano Índico do lado dela: “Namaste! Tudo bem?” A onda índica diz para a outra: “você parece triste. O que lhe preocupa?”
A atlântica responde: “eu era uma vaga enorme no meio do mar, mas fui trazida pelos ventos para esta plataforma continental e fui perdendo tamanho gradualmente, até me tornar deste tamanho. Agora estou vendo que vou me despedaçar naquela praia e não consigo evitar esse final.”
A onda índica lhe responde: “eu também sou uma onda, também já fui uma vaga bem grande e, como você, irei igualmente me desintegrar naquelas rochas da praia. Mas, estou tranquila.” A outra lhe pergunta: “mas como você pode estar assim tão tranquila, sendo que nós vamos parar de existir daqui a pouco?”
A onda índica diz: “olha, você é o oceano. Este Ser que você é, é o oceano, não a onda. Olhe para os lados, você existe no oceano, você nasceu no oceano, sua natureza é o oceano. A verdade da onda que você é, é o oceano. Todas nós, vagas, ondas e marolas, somos apenas oceano”.
Esta é uma onda iluminada que, enquanto vive, é livre e celebra. Celebra o fato de ter um corpo de onda enquanto esse corpo dura sabendo que ela, intrinsecamente, é pura água e que, no fim do seu período associada ao corpo da onda, irá continuar sendo o que sempre foi: puro oceano.
Este exemplo é muito claro: cria-se um conflito, uma aparente contradição, que nos leva a resolver a equação jiva = Ishvara; você = completude. A diferença é óbvia. A dualidade é óbvia. A não-dualidade não é óbvia. Senão, não precisaria ser explicada.

Volta as aulas
Entre um camp e outro…
No intervalo entre o primeiro e segundo camps de estudos, aproveitamos para explorar os arredores de Rishkesh caminhando até o templo Nilakantha Mahadeva, dedicado ao Deus Shiva e que fica localizado no alto das montanhas que são o contra-forte dos Himalaias, bem na frente do nosso ahsram, do outro lado do Ganges. Uma caminhada de poucas horas por uma trilha em meio a floresta que pudemos observar macacos e aves; passamos por vilarejos e até cavernas habtadas por sadhus, renunciantes da vida do karma e que dedicam a vida à espiritualidade com muita devoção a Shiva; chegamos a um templo simples em sua arquitetura, porém com uma energia forte de adoração por receber peregrinos de toda a Índia. Aqui agente abre espaço para alguns parágrafos de um texto escrito por Pedro Kupfer em seu site, (http://www.yoga.pro.br/artigos/587/9/shiva-nilakantha-bebe-o-veneno-do-mundo).
“Diferentemente da idéia que temos em nossa cultura judaico-cristã, Shiva é a síntese, a integração das forças da vida e da morte. Seus mitos são símbolos que expressam de maneira poética e alegórica a percepção que o povo hindu teve e tem das verdades universais, bem como da reconciliação entre a poesia e a religião por um lado, e a ciência, pelo outro.
Dentre essas inúmeras formas, destacam-se duas que são pólos opostos: Nīlakantha e Mahakālā. Por um lado, Shiva é o preservador da criação, sob a forma de Nīlakantha, “Aquele da Garganta Azul”. Nessa forma, Shiva absorve em si próprio o veneno do mundo (hālāhala, ou kalakata). Esse veneno é a antítese do néctar celestial da imortalidade, chamado amrita.
Shiva é ao mesmo tempo, então, o Senhor da Vida e da Morte, do nascimento e da destruição.
Por outro lado, Shiva é igualmente Mahakālā, o devorador do tempo, que dissolve o universo (mahapralāyā) no final dos ciclos cósmicos (mahakalpas). Nesta forma, ele revela um aspecto de grande profundidade filosófica: o tempo é rítmico. É por isso que Shiva é o senhor da dança, Natarāja. Ele dança o tandava, a dança da dissolução, marcando o ritmo com o damaru, um tambor em forma de ampulheta.
O mito de Nilakantha, conhecido como O Bater do Oceano de Leite (samudrā mantham) exemplifica o quanto o deus Shiva integra em si próprio as forças de criação e dissolução, bem como todas as ambigüidades, dualidades e pares de opostos.
A história é assim: muito, mas muito tempo atrás, deuses e demônios estavam engajados numa luta sem quartel pela supremacia e pela conquista da imortalidade. Nessa guerra, a arma definitiva seria o Amrita, o Licor da Imortalidade, que jazia no fundo do Oceano das Águas Causais.
Brahma, o Deus Criador, conclamou então um encontro para resolver a questão. Acordou-se que deuses e demônios cooperariam entre si, ao invés de lutar. Vishnu assumiria a forma de Kūrma, uma tartaruga gigante. O ciclo do deus Vishnu inclui dez encarnações, das quais a tartaruga é a segunda. Essas encarnações são chamadas Avatāra, que significa “Aquele que Desce [para salvar o mundo]“.
Sobre as costas de Kūrma, os demais deuses colocariam o monte Mandara, e ele desceria carregando essa montanha até o fundo do Oceano das Águas Causais (Samudrā). O deus-serpente Vasuki, enroscado ao redor da montanha, serviria como corda, puxada alternadamente por deuses e demônios, cada grupo ficando numa das beiras do Oceano. Desta maneira, Kūrma, girando alucinadamente com os braços e as pernas abertos, trabalhou como uma espécie de liquidificador gigante, que espalhou as águas do Oceano em todas as direções, fazendo com que os tesouros submersos nele desde o início dos tempos, viessem à superfície. A tarefa estava dando muito certo, até a aparição do Veneno. A aparição do veneno kalakata marca o fim da Primeira Era das quatro do presente ciclo cósmico. Essa Era Cósmica chama-se Satya Yuga em sânscrito, que significa Era da Verdade, ou Era do Dharma.
Shiva estava meditando no alto do Himalāyā. Deuses e demônios foram lhe rogar para serem salvos daqueles vapores letais. Ele aquiesceu, e bebeu o veneno, ficando com a garganta colorida de azul. É por isso que ele é chamado Nīkalantha, o da Garganta Azul.
O nome Garganta Azul aponta para o fato de que não existe nenhum conflito entre o coração e a mente de Shiva. Mente e coração estão em sintonia, alinhados e, entre eles, só existe espaço vazio, representado pela cor azul. Nīkalantha é aquele que vê todo o mundo em si mesmo, e a si próprio em todo o mundo.
O desapego de Shiva perante a vida e a morte é absolutamente aterrador. Ao beber o veneno kalakata, ele salva o Universo. Ao absorver em seu próprio organismo o veneno do mundo, ele redime a Humanidade.
Desta maneira, deuses e demônios puderam retomar a tarefa de desenterrar não apenas o licor da imortalidade, mas igualmente a deusa Lakshmī, que surge das águas numa cena idéntica à do nascimento de Afrodite na mitologia grega, e que acaba casando com Vishnu, bem como alguns valiosos tesouros, dentre os quais destaca-se o kausthubha, uma jóia que o deus carrega até hoje no peito.”
Em outro dia de folga fomos fazer um rafting na Ganga com uma galera de brazucas, amigos que também estão aqui no ashram. Subimos 35 km rio a cima até nosso ponto de partida, e logo entramos nas águas geladas do Ganges para dropar as corredeiras do vale que se abria a nossa frente ao pé das escarpas de granito e basalto esculpidas pela força das águas verde esmeralda do Ganges. Tivemos momentos de muita descontração e visuais incríveis dentro do bote. Curtimos o dia todo com direito ao um bom almoço em uma prainha ao meio do caminho para aportarmos em Lakshamn Joola.
||Tat Tvam Asi|| Aquele é voce
Namaste galera! Depois de alguns dias de viagem, tenteremos dizer em algumas palavras como tem sido nossa trip pela India.
Chegamos a Delhi no inicio da madrugada onde um taxi nos levaria ate nosso ashram em Rishikesh, O Figue já havia vindo a India alguns anos atrás, mas o Roger e o Cairo sentiam o cheiro da India pela primeira vez. Viajamos noite adentro por um transito totalmente diferente, onde as leis que conhecemos parecem não valer aqui, a começar pela mao inglesa que demora para acostumar. Buzinar parecer ser a primeira regra mesmo para quem vem na contra mao, e a segunda é acreditar que Ganesha removera os obstáculos.
Chegamos para o puja matinal que acontece todos os dias as 05:00 da manha no templo na beira do rio Ganges, este ritual vem sendo mantido por milênios de anos e as pessoas que acreditam em toda a inteligencia de Ishvara com fé evocam mantras védicos que saúdam formas divinas e em especial Shiva e Ganga Maa, a forma feminina da divindade vista na águas do rio Ganges, na espera de mais um dia que começa ao nascer do sol.
Tivemos alguns dias livres antes do começo das aulas que aproveitamos para conhecer a cidade, que é esta localizada no norte da India, as margens do rio Ganges e aos pés da cordilheira dos Himalaias. Considerada uma cidade sagrada e rota de peregrinçao para os hindus, concentra templos e ashrams ao seu redor que atraem muitos estudantes de todo o mundo em busca dos ensinamentos da tradição védica que tem suas raízes nessa região.
O primeiro camp foi sobre o mahavakya tattvamasi contido na Chandogya Upanisad do Sama Veda. Mahavakya é explicado pelo Swamiji como sendo uma equação como em matemática, 5+4=100-91 porém numa matemática védica que usa muito bem as palavras e seus significados como meio de conhecimento para explicar a nossa verdadeira natureza que é Sachchitaananta, Real, autoevidente e de bem aventurança!
“O Vedānta tem um único tema, que é sintetizado no mahāvākya tattvamasi: você, indivíduo, é idêntico a Īśvara, o Todo. Aquilo que desejo ser é o que já sou. Preciso libertar-me da sensação de ser insignificante, pequeno demais. Preciso libertar-me dessa crença limitadora. Então, o tema do Vedānta encara essa questão e a resolve em apenas uma frase, uma equação: jīva=Īśvara.”
Mumukshutva
Namaste galera,
Mumukshutva é aquele que busca por autoconhecimento. Na próxima semana nossa busca nos levara ate os pés do Himalaia, Rishikesh para estudarmos com nosso mestre Swami Dayananda.
As práticas aqui na escola se encerram na quinta feira dia 16 de fevereiro e ficam suspensas ate junho.
Acompanhe nos pelo site ou facebook com posts e noticias sobre a nossa visita a India.
Abaixo encaminhamos o link um artigo que pode ser de interesse, e um website www.yoga.pro.br que é de grande valia para o buscador.
Harih Om
http://www.yoga.pro.br/artigos/1066/3058/o-yoga-como-negocio
Aulas em 2012
Namastê amigos,
Os professores da Ashvatta Yoga sairão em uma viagem para aprofundarem-se no estudo do Advaita Vedanta em Rishikesh, India com nosso mestre Swami Dayananda Saraswati, as margens do rio Ganges, local de peregrinação que recebe estudantes e turistas que querem conhecer um pouco mais da cultura e espiritualidade indianas. Beber de todo esse conhecimento direto da fonte…e depois iremos até a Indonesia em busca das ondas mais perfeitas.
Durante este período a escola estará fechada, reabriremos em junho com muitas histórias para contar e conhecimento para compartilhar com vocês…
As práticas continuam até dia 16 de fevereiro.
Harih Om
Horários de dezembro
Até o dia 23 de dezembro os horários permanecem os mesmos. No período do dia 26 de dezembro até 08 de janeiro teremos práticas às segundas, quartas e sextas 08h da manhã; terças e quintas 06h30′ e de segunda a sexta 20h.
O grupo de estudo de Vedanta, sextas às 19h, permanece até o dia 23 de dezembro.
Namastê
“Sentar junto”
Upanishad “sentar junto”. Este final de semana teremos o privilégio de sentarmos juntos com nossa professora Gloria Arieira, para escutarmos os ensinamentos de Krishna. Que Mariscal nos presenteie com alta ondas e lindos dias! Namastê.
Prática logo cedo…
Namastê galera, as práticas de terça e quinta as 06h30′ estão de volta
ॐ भूर्भुवस्वः ।
तत् सवितुर्वरेण्यं ।
भर्गो देवस्य धीमहि ।
धियो यो नः प्रचोदयात् ॥
Om bhūr bhuva svar
tat savitur varenyam
bhargo devasya dhīmahi
dhiyo yo nah prachodayāt
“O Sol Supremo e Todo-Poderoso nos impulsiona com o seu divino brilho para que então nós possamos atingir uma nobre compreensão da realidade.”
Lista de Links
- Bali Surf Connection Viagens por toda a Indonesia e Mentawaii especialista em surf trips…
- Find Balance Vinyasa Yoga, David Lurey
- Sattva Yoga Sattva Yoga, Gustavo Ponce
- Vidya Mandir Centro de Estudos de Vedanta e Sanscrito de Glória Arieira
- Yoga.pro Fonte de estudos de Yoga, Pedro Kupfer












